segunda-feira, 13 de julho de 2009

Thalita Rebouças


Gnte eeu AMO os textos super engraçados e criativos da Thalita Rebouças, então ai vai um deles espero q gostem ...

Armadilha Japonesa

Sou totalmente contra escatologia. Pum e afins não costumam fazer parte do meu repertório, assim como odores malcheirosos que saem do nosso corpo. Mas, dada a gravidade do problema que narrarei a seguir, vou abrir uma exceção.


Comida japonesa é bonita. Comida japonesa é gostosa. Comida japonesa é romântica. Comida japonesa é carinha também, mas isso não vem ao caso agora. O que importa é que restaurantes japas instigam o romance e acabam sendo o rumo de muitos casais num primeiro encontro. Foi o que aconteceu comigo e o Edu, um gatito de 19 aninhos, que conheci numa festa e logo me convidou para um jantar japa.


O primeiro mico aconteceu na chegada.


- Tirar os sapatos? Fala sério! Pra quê?! - reagi indignada ao pedido da recepcionista.


- Malu, aqui é um japonês legítimo. A gente vai sentar no chão, de pernas cruzadas, um do ladinho do outro, super-romântico - Edu gatito explicou.


Mas é que...


- Qual é, Malu? Não quer mostrar os pezinhos, é? Por quê? Será que você tem seis dedos?


- Dâââ! - foi o máximo que consegui responder para Edu gatito e chatito.


Eu não teria escapatória. O talquinho que minha mãe comprara para amenizar meu chulé (que, admito, estava numa de suas piores fases) não passaria despercebido por ninguém, muito menos pelo Edu. Tirei o tênis e fui para a cabaninha que ele tinha reservado deixando medonhas "pegadas" brancas pelo carpete vermelho-escuro do restaurante. Que vergonha!


- Você usa talco, que bonitinho! - exclamou Edu.


Bonitinho? O que um cara não diz quando quer muito ficar com uma garota!


- É mania, uso desde pequena - menti. Ah! Não ia falar pro menino que estava com chulé, né?


Depois de muitos sushis e sashimis, teve início meu drama. Do nada, minha barriga começou a emitir sons que me mataram de vergonha. Altos, pouco espaçados, era como se meu estômago estivesse aprendendo a tocar trombone.


- Ui, olha minha barriga roncando! Será que mesmo depois de comer ainda estou com fome? - tentei disfarçar.


Edu gatito foi mais que direto:


- Não, ronco de fome é diferente. Você está é com gases, Malu.


Pronto. A minha noite romântica tinha ido pro brejo. Afinal, vamos combinar que "gases" é a forma educada de dizer pum.


Terminamos de jantar em silêncio, com minha barriga sinfônica me embaraçando a cada barulho esquisito que emitia. Cheguei em casa e liguei para o pai de uma amiga minha, que é médico, e ele me disse que em algumas pessoas, peixe cru, especialmente à noite, pode dar gases. Eu não sabia! Ninguém tinha me avisado!


Por isso, por via das dúvidas, melhor evitar japonês num primeiro encontro. E nada de talquinho nos pés!

Thalita Rebouças é escritora . Visite seu site www.thalita.com .





4 comentários:

  1. Gosto muito da Thalita Rebouças e me divirto com as crônicas dela . Amei esse texto !
    Estou aqui retribuindo sua visita no meu blog; gostei bastante do seu layout, inclusive, e os textos são bonitinhos :P
    Beijos e se quiser me achar, passa lá no meu blog :**

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  2. muito bom os textos dela, esse então é demais!
    beijo

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  3. qê bom q gostaraam :) éeh '

    Beeijoo pra vcs .. :*

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  4. odorei...estou morrendo de ri
    ate agora..
    todos sao muito bons
    BEIJINHOS *_*

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